Sejam muito bem-vindos a mais um texto do Eurekka! E no texto de hoje a gente vai falar sobre automutilação infantil. Até o fim desse texto, você vai entender as causas da automutilação infantil, como se faz o diagnóstico da automutilação infantil e também como ajudar uma família ou uma criança que está sofrendo com a automutilação.

O que é automutilação infantil?

Antes de tudo, é importante que você entenda exatamente a definição de automutilação infantil. E antes de entender a definição de automutilação infantil, é importante você entender o que é a automutilação! A automutilação é qualquer comportamento que uma pessoa faz consigo mesma com a intenção de se machucar fisicamente.

A palavra automutilação, geralmente, se refere mais a quando a pessoa faz isso com objetos cortantes, mas pode acontecer também quando a pessoa se soca, bate a própria cabeça contra a parede etc. Então, a automutilação não é apenas se cortar com uma lâmina, porque esse fenômeno também inclui machucados que não envolvem cortes. Por consequência, a automutilação infantil é quando esse fenômeno ocorre durante a infância, até os 12 anos.

Existem vários jeitos que uma criança pode usar para se machucar, ou seja, praticar automutilação. Você pode perceber que a sua criança se cortou com material escolar ou que ela pegou um objeto cortante da cozinha sem você perceber e se machucou. Assim como você pode observar machucados, contusões e roxos no corpo da sua criança e descobrir que ela mesma causou esses machucados.

Mas agora, para começar, eu quero responder à seguinte pergunta:

O que causa a automutilação infantil?

Se você conhece alguma criança que você suspeita que está praticando automutilação, isso pode estar acontecendo por quatro motivos:

1. Ambiente mal pensado

A primeira causa é um ambiente mal pensado. Quando a gente está lidando com uma criança que se machucou, a primeira hipótese com a qual a gente precisa trabalhar é que ela não fez isso de propósito. Afinal, quando a gente é criança, a gente é mais desengonçado e acaba se machucando por aí.

Portanto, antes de concluir que a criança fez isso de propósito, com a intenção de se machucar, você precisa olhar os ambientes que essa criança está frequentando. E se perguntar se esses ambientes não estão perigosos demais para a capacidade atual da criança.

Por exemplo, olhe para sua casa e se pergunte: será que a minha casa foi construída de um jeito que é muito fácil tropeçar na quina de uma mesa ou se machucar com uma tesoura? Só depois que você consegue eliminar a hipótese de que a sua criança está se machucando por acidente, você começa a pensar nesse fenômeno como algo intencional.

2. Dificuldade de lidar com emoções

A automutilação, tanto em crianças, quanto em adultos, pode ter a função de acalmar uma emoção muito forte do momento. A criança pode estar passando por uma crise de raiva, de tristeza ou de ansiedade e ela descobriu que machucar a si mesma tem um efeito calmante.

E de fato existem evidências científicas de que, quando você se corta, o seu corpo libera algumas substâncias que podem ser calmantes em alguns casos. Por isso que é muito importante observar quando a automutilação acontece. Ou seja, se ela acontece logo depois ou durante uma crise de raiva, tristeza ou ansiedade. Porque isso pode ser um sinal de que ela está servindo ao propósito de acalmar a criança.

3. Uma forma extrema de pedir atenção

A terceira causa possível é que a automutilação é uma forma extrema de pedir atenção, tanto em crianças, quanto em adultos. A automutilação pode ser um jeito de chamar atenção e pedir a ajuda das pessoas em volta, se a criança tem dificuldade de comunicar que precisa de ajuda, ou as comunicações que ela tenta fazer são ignoradas.

Algumas pessoas podem usar o ato de se machucar como um jeito desesperado de receber alguma ajuda. Por esse motivo, observe na sua criança em que momentos a automutilação está acontecendo – se ela acontece logo após longos períodos de tempo em que a criança não recebeu atenção ou ajuda. Ela pode estar cumprindo essa função!

E aqui é muito importante fazer uma ressalva: o fato de que a criança usa a automutilação para chamar atenção não significa que você deve ignorá-la quando ela se machucar. Afinal, ignorá-la pode fazer com que ela tome atitudes ainda mais extremas do que a automutilação para receber a atenção.

Em vez disso, o que você precisa fazer é ser capaz de identificar os pedidos de ajuda que ela fez antes de tomar essa atitude extrema e, então, ajudar ela antes disso acontecer.

4. Autismo

E a quarta causa da automutilação infantil é que o seu filho pode ter um possível diagnóstico de autismo. Como as crianças com autismo, no geral, têm uma dificuldade muito grande de comunicação, é bem mais comum que elas usem a automutilação como uma forma de pedir ajuda. O jeito como a criança autista usa a automutilação também tem a ver com as três causas que a gente acabou de abordar aqui, mas com as complicações extras do diagnóstico de autismo.

Então, se você tem observado esse comportamento na sua criança, junto com muitas falhas de comunicação e socialização, consulte um psiquiatra um psicólogo para entender o diagnóstico de autismo.

Diagnóstico da automutilação infantil

O diagnóstico da automutilação infantil é muito simples. Se você ou um cuidador observaram que a criança se machucou com a intenção de se machucar, ela praticou automutilação. Quanto mais automutilação aconteceu num contexto de crise emocional, num contexto de pedir ajuda – ou o seu filho tem sinais de autismo -, maior ainda é a chance de o caso ser um caso de automutilação infantil.

Nesse sentido, além de observar o comportamento, observe ele em relação às quatro causas que a gente falou agora pouco.

Como lidar com a automutilação na escola?

Pode ser muito angustiante para professores, pais e colegas lidar com uma criança que se machuca. No entanto, o ambiente da escola pode ser um ambiente terapêutico para que esse comportamento de se machucar diminua e não aumente. Existem três atitudes que os pais, os professores e a escola podem tomar para fazer isso acontecer.

1. Os pais devem conversar entre si para descobrir padrões.

Ainda que possa ser muito vergonhoso admitir que o seu filho se machucou com a intenção de se machucar, saber que isso está acontecendo com outras crianças e que existem outros pais muito preocupados também pode ser um ótimo jeito de chegar na causa do problema e no tratamento.

Você pode descobrir, por exemplo, que a maioria desses cortes acontecem na sala de aula, durante a aula de uma professora específica; ou que as pessoas que se cortam fazem isso durante o recreio; ou que alguns amigos estão trocando informações sobre o ato de se machucar num grupo de WhatsApp deles etc.

E quanto mais informações você pega com outros pais, mais você consegue entender a fundo o que está acontecendo. Sair do modo pânico e entrar no modo de resolução de problemas!

2. Os professores podem ensinar aos alunos o jeito certo de se acalmar

Se você chega à conclusão de que a automutilação infantil na sua escola está acontecendo com a função das crianças se acalmarem em momentos de crise, os professores podem ensinar jeitos menos lesivos das crianças se acalmarem. O professor pode ensinar todos os alunos ao mesmo tempo, por exemplo, a fazer a respiração diafragmática.

Essa é uma técnica muito simples que qualquer criança pode aprender, que qualquer criança pode fazer em qualquer ambiente, e que tem um efeito super poderoso para aliviar sintomas de estresse e ansiedade. A gente precisa lembrar que, na maioria das vezes, a criança está fazendo aquilo porque ela não conhece outras opções. Ou seja, uma das atitudes mais importantes que você pode fazer é oferecer essas opções.

3. A escola deve observar como ela trata essas crianças que se automutilam

Às vezes, a automutilação está ligada a receber mais carinho e mais atenção dos adultos. Por isso, é importante que a escola observe como ela está tratando esses alunos, especialmente logo após os machucados.

  • A criança recebe mais atenção e carinho dos adultos depois dos machucados?
  • A criança é poupada de alguma atividade obrigatória que ela precisava fazer?
  • Ou então a criança é retirada de uma aula que ela estava achando chato para que a automutilação diminua?

A gente precisa se perguntar se tem algo que a gente está fazendo que está recompensando a automutilação.

Imagine uma criança um pouco carente, que nunca recebe atenção, e que se corta de um momento para o outro. Então, ela recebe a atenção de muitos adultos, sai da aula que ela estava achando chata e é dispensada de fazer compromissos da escola etc. Isso pode ser uma forma de recompensar a automutilação!

Mas aqui é muito importante fazer outra ressalva: a escola não deve ignorar uma criança que está se machucando! Você deve retirar a criança da sala de aula, fazer uma limpeza no machucado, devolver a criança à sala de aula se ela já está mais calma e comunicar aos pais.

Mas muito cuidado com as recompensas que você pode estar dando para um comportamento que é errado e não deve ser recompensado. Afinal, todo o comportamento que é recompensado tende a acontecer de novo – e com mais intensidade no futuro.

Automutilação infantil: como ajudar?

Se você é pai ou cuidador de uma criança que está praticando automutilação, existem três atitudes que você precisa começar a tomar! Elas são atitudes simples que a gente já explorou um pouco nesse texto, então vou passar rapidinho por cada uma delas.

1. Ensinar a criança a se acalmar

Clicando aqui você pode acessar o áudio da respiração diafragmática guiada que a gente gravou aqui na Eurekka. Você pode executar esse áudio com a sua criança e pedir para que, depois do áudio, ela mostre como se faz. Assim como você pode orientar ela a praticar 5 ou 10 minutos dessa respiração todos os dias. Porque a respiração faz a criança se sentir melhor e, então, a tendência é que ela goste de praticar também.

2. Ensinar a criança a pedir ajuda do jeito certo

Se você percebe que a sua criança tem dificuldades de comunicação e está se machucando como uma forma de chamar sua atenção para algo que ela precisa, ensine ela como pedir ajuda do jeito certo.

Explique para ela que, quando ela precisar de algo e quiser chamar sua atenção, ela deve fazer isso cutucando você, chamando você pelo celular ou ligando para você etc. Como ela vai fazer isso depende da cultura da sua família e de como funciona a rotina. Mas ela precisa ter claro na cabeça dela que atitude é essa que serve para pedir ajuda.

3. Ensinar a criança a usar objetos cortantes com responsabilidade

E isso serve especialmente se a sua criança está se cortando por acidente. Porque a atitude certa não é tirar todos os objetos cortantes de perto dela. Na verdade, a atitude certa é tornar essa criança competente para usar objetos cortantes do jeito certo.

Sendo assim, se ela está se cortando com a tesoura, mostre para ela como se usa uma tesoura e deixe que ela use sob a sua supervisão. Já se ela acabou se machucando com uma faca, mostre para ela como se usa uma faca; deixe que ela segure a faca e oriente ela a usar esse objeto.

Se você afasta a criança de todos esses objetos, a tendência é que ela continue incapaz de usar isso da forma correta. Mas se você ensina ela, com paciência, a usar os objetos, os acidentes se tornam cada vez menos frequentes.

Tratamentos para automutilação infantil

O tratamento da automutilação infantil segue os mesmos princípios simples que a gente abordou no resto do vídeo. Do mesmo jeito que você, como adulto, vai ensinar a criança a se acalmar e a pedir ajuda da forma correta, o psicólogo também vai participar desse processo.

Ou seja, o psicólogo vai analisar em que ambientes a automutilação está acontecendo, perto de quais pessoas, em quais situações etc. E vai entender a fundo esse fenômeno, para que ele consiga diminuir ao máximo a ocorrência dos machucados.

E é exatamente por isso que, para casos de automutilação infantil, a gente recomenda a terapia comportamental. Porque ela foca em entender o comportamento de se cortar: onde ele acontece, como ele acontece e como fazer ele parar.

Inicie o tratamento com a Eurekka

Por fim, quero falar para vocês sobre o tratamento que a Eurekka faz para esses casos. A Eurekka é a maior clínica de terapia online do Brasil e a gente trabalha com terapia comportamental. Os nossos psicólogos são treinados para identificar padrões de comportamento que se repetem e descobrir quais são as pequenas mudanças que a gente pode fazer na rotina daquela criança que tenham um maior impacto.

Além disso, os nossos psicólogos também têm o nosso estilo didático de ensinar as técnicas para se acalmar e as técnicas para pedir ajuda. Portanto, se você é um adulto que sofre com automutilação ou você tem uma criança que sofre com automutilação, clica aqui para você saber mais sobre a terapia da Eurekka e marcar sua conversa inicial com um dos nossos psicólogos!

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