TOD: tudo sobre o Transtorno Opositivo-Desafiador

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O seu filho ou filha parece irritada e agressiva demais? Não aceita ordens, discute e perde a calma com frequência? Talvez seja algo muito além da desobediência. Ela pode estar sofrendo de Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD).

Trata-se de um transtorno psiquiátrico em que a criança tem não apenas um constante comportamento opositivo e desafiador, como também apresenta mais sintomas de birra que o normal para a sua idade, se irrita muito facilmente e se recusa a obedecer figuras de autoridade, como os pais e os professores.

Neste texto, você irá entender melhor as características do Transtorno Opositivo-Desafiador. Vai aprender ainda como ele pode ser identificado e qual o seu tratamento.

O que é TOD

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TOD é a sigla para Transtorno Opositivo-Desafiador, um transtorno psiquiátrico caracterizado pela irritabilidade e confrontação de crianças e adolescentes. Ele acontece geralmente na infância.

Assim, é por volta dos 8 anos que o TOD é mais diagnosticado, mas pode se apresentar desde os 3 anos. Além disso, parece acontecer mais em meninos do que em meninas na infância.

Características

Crianças com TOD têm alguns sintomas característicos. Vamos conhecê-los?

  • Comportamento opositivo e desafiador: é muito difícil a criança com TOD concordar com algo que os pais ou um adulto com autoridade digam. Inclusive, às vezes ela discorda só por discordar, para irritar a figura de autoridade. Também é comum que ela faça algo só porque falaram para ela não fazer.
  • Comportamento negativista: para ela, nada vai dar certo, e nada está bom o suficiente.
  • Acessos de raiva ou birra: quando não consegue o que quer, a criança costuma perder a calma. O mesmo acontece quando pedem que ela faça algo que não quer fazer.
  • Humor facilmente irritável: a criança com TOD se irrita muito fácil. Por isso é comum que ela tenha vários acessos de raiva todos os dias. 
  • Recusa em obedecer figuras de autoridade: costuma desobedecer os pais e professores de propósito. E fica irritada quando recebe ordens.
  • Teimosia e ressentimento: ela é muito teimosa e se ressente facilmente, guardando rancor muitas vezes.
  • Falta de amigos: não costuma ter amigos, pois não gosta de compartilhar suas coisas. Acima de tudo, é muito mandona.
  • Mau desempenho escolar: isso não é regra, uma vez que TOD não altera a inteligência, mas costuma acontecer porque ela se recusa a participar de trabalhos em grupos ou a ser ajudada por alguém. 
  • Raramente a agressão ( a si ou a outros) está relacionada com TOD.

Outros sintomas

É interessante que os pacientes com TOD costumam culpar os outros pelos seus atos. Então, é comum ouvir que a atitude deles foi só uma reação à atitude de outras pessoas. Por isso, o transtorno pode causar mais sofrimento para as pessoas que convivem com os pacientes do que para eles próprios. 

Além disso, as manifestação do transtorno sempre estão presentes em casa e com pessoas que conhecem bem, mas podem ou não serem vistas na escola ou com pessoas estranhas. Por isso, pode ser que eles não aparentem nada quando são levados ao médico.

Como consequência das características citadas, pode surgir baixa autoestima e humor mais deprimido. Já na adolescência, pode acontecer abuso de álcool e outras substâncias, assim como evolução para transtorno de conduta ou transtorno do humor.

Causas e fatores de risco

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Não existe uma causa específica e conhecida para o Transtorno Opositivo-Desafiador. Entretanto, várias teorias são levantadas por diferentes grupos de estudiosos.

A psicanálise, por exemplo, atribuiu o transtorno a conflitos não resolvidos com figuras de autoridade. Já os behavioristas acreditam que esse é um comportamento aprendido pela criança para ter controle sobre os pais e ganhar atenção.

Os fatores de risco também não são cientificamente comprovados. Porém alguns estudos afirmam que os seguintes fatores podem aumentar a chance de desenvolver TOD:

  • Educação muito rígida;
  • Mães com problema de saúde mental;
  • Ter sofrido violência;
  • Sexo masculino antes da puberdade e sexo feminino depois da puberdade.

Diagnóstico de TOD

O diagnóstico só pode ser feito por um médico, de preferência psiquiatra. Não existem exames que possam diagnosticar TOD, por isso o diagnóstico é chamado de clínico, que é quando o médico chega a ele a partir da história e dos sintomas do paciente.

Para isso, existe um livro chamado Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos mentais (DSM) que foi escrito pela Associação Americana de Psiquiatria. Esse manual tem uma série de critérios necessários para classificar doenças psiquiátricas.

Dessa forma, os critérios que precisam estar presentes para se der o diagnóstico de Transtorno Opositivo-Desafiador são:

A. Ter um padrão de comportamento negativista, hostil e desafiador por pelo menos 6 meses. Durante esse padrão, 4 ou mais das seguintes características precisam estar presentes mais vezes do que em crianças de idade semelhante:

  • Perder a calma com frequência;
  • Discutir com adultos com frequência;
  • Desacatar ou se recusar a obedecer pedidos ou ordens de adultos muitas vezes;
  • Ter um comportamento que incomoda de propósito várias vezes;
  • Frequentemente colocar a responsabilidade nos outros pelo seus atos;
  • Se irritar com facilidade em diversas ocasiões;
  • Ficar com raiva e ressentido;
  • Ser rancoroso ou vingativo.

B. Um dos comportamentos acima influencia de forma negativa e significativa nas relações com as pessoas, na escola ou no trabalho.
C. O comportamento acontece fora de um transtorno psicótico ou de humor.
D. Não tem diagnóstico de Transtorno de Conduta nem de Transtorno de Personalidade Antissocial (depois dos 18 anos).

Portanto, se a pessoa tiver os critérios A, B, C e D ela é diagnosticada com TOD.

Como saber se uma criança tem TOD ou é apenas desobediente

Bebê triste com TOD

Durante o desenvolvimento, as crianças precisam aprender a comunicar sua própria vontade e ter autonomia. Dessa forma, é completamente normal que bebês de 18 a 24 meses tenham um comportamento opositivo muito intenso, período que é conhecido como “os terríveis 2 anos”.

Porém, o problema está quando essa fase continua de forma exacerbada à medida em que a criança fica mais velha.

Também é normal que as crianças tenham predisposições comportamentais diferentes: algumas têm preferências fortes, são mais teimosas ou mais temperamentais. Nas crianças com TOD, entretanto, fica claro que seu comportamento é muito diferente do que o da maioria das crianças da sua idade.

Por fim, é importante analisar a relação das crianças com os pais. Pais que impõem sua vontade de forma mais extrema podem provocar comportamentos opositivos em seus filhos, sem que isso seja, no começo, TOD. Além disso, traumas ou doenças que incapacitem podem levar a comportamento opositor pela criança como forma de se defender contra impotência, ansiedade ou falta de autoestima.

TOD e outros transtornos

Você sabia que TOD pode estar associado a outros distúrbios como Transtorno de Conduta, TDAH, autismo e Transtorno Bipolar? Veja a relação com cada um deles.

Transtorno de Conduta

De acordo com estudos, cerca de 30% das crianças com TOD vão evoluir para Transtorno de Conduta na adolescência. Pior do que isso: quando o Transtorno Opositivo-Desafiador não é tratado, a evolução para o Transtorno de Conduta pode aumentar para até 75% dos casos.

Nesse transtorno, é comum um comportamento mais agressivo. Então, agressões a pessoas, a si mesmo e a animais são frequentes. Também é comum que o paciente destrua propriedades, minta, roube e viole outras regras (como, por exemplo, mate aula).

TDAH e TOD:

Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e TOD estão associados.

Crianças com TDAH normalmente têm:

  • Distração frequente;
  • Esquecimento;
  • Dificuldade em organizar tarefas;
  • Movimentos e conversas excessivas;
  • Impulsividade;
  • Baixo rendimento na escola.

Estima-se que até 50% dos casos de TDAH estejam relacionados com TOD.

Quando a criança apresenta os dois transtornos, o TOD vai ter influência na maneira em como o TDAH vai se manifestar na vida do pequeno. Assim, normalmente compromete o comportamento da criança com os adultos à sua volta, e o rendimento escolar pode piorar ainda mais.

Então, além do tratamento do TDAH, será necessário procurar ajuda também para o transtorno opositor.

Autismo

Crianças do espectro autista gostam de passar muito mais tempo sozinhas do que com outras pessoas. Inclusive, se sentem muito desconfortáveis na presença dessas. Portanto, quando o autismo não vem sozinho, é improvável que uma criança autista desafie ou se oponha a alguém, sendo mais comum que ele simplesmente ignore o que lhe foi dito. 

Crianças autistas também evitam contato visual e podem fazer movimentos repetitivos. Outra atitude muito característica é dar funções para brinquedos diferente daquelas que eles têm. Por exemplo: balançar um lápis no ar como se fosse um avião.

Entretanto, TOD é uma das comorbidades que podem ser observadas em casos de autismo. E por terem características tão diferentes, isso faz com que muitas vezes o diagnóstico de autismo seja prejudicado.

Para os dois transtornos, a intervenção precoce é essencial, podendo prevenir quadros mais graves. Por isso, se você suspeita que seu filho ou filha tenha autismo ou TOD – ou os dois – procure ajuda profissional o quanto antes.

Transtorno Bipolar (TB)

Outra comorbidade associada ao TOD é a bipolaridade.

Pacientes com transtorno bipolar têm duas fases que se intercalam ao longo de semanas:

  • Fase de mania ou hipomania: quando a pessoa fica agitada, fala alto e muito, troca a noite pelo dia, dorme muito pouco, fica com mania de grandeza e se expõem publicamente muito mais do que o normal.
  • Fase de depressão: quando acontece baixa auto-estima e a pessoa quase não sai do quarto, não tem visão de futuro nem vontade de fazer nada e dorme o dia todo.

Lembrando que esse é só um resumo, porque são transtornos muito mais complexos do que o explicado acima e precisam ser diagnosticados por um médico, acesse nossos outros textos sobre esses e mais outros transtornos no Blog da Eurekka.

Tratamentos

Menina irritada com TOD

Enfim, O melhor tratamento para TOD é a terapia comportamental e o treinamento dos pais. Com isso, os pais aprendem a incentivar o comportamento correto na criança e a desincentivar o comportamento opositivo delas. 

Já para as crianças, a psicoterapia individual é muito boa, pois as expõem a situações nas quais elas têm que “praticar” o bom comportamento. Dessa forma, elas aprendem novas técnicas de domínio próprio e controle.

Além disso, medicamentos podem ser usados para controlar alguns dos sintomas, como a agressividade, mas não existe um medicamento específico para TOD. Além disso, todos os remédios podem gerar reações adversas. Portanto, a terapia é a melhor escolha porque traz melhores resultado e menos efeitos colaterais.

Terapia com Eurekka

sede presencial eurekka

Por fim, eu quero contar para vocês sobre o tratamento de TOD com Terapia Cognitivo-Comportamental da Eurekka. A Eurekka é uma clínica de psicologia, com base em Porto Alegre, mas que atende todos os dias muitos pacientes online do mundo inteiro com diversos transtornos ou doenças psicológicas.

Concluindo, os nossos profissionais são treinados nos melhores métodos de terapia. Para agendar uma conversa com os nossos psicólogos, é só clicar neste link e visitar a página.

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